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sexta-feira, 1 de abril de 2011


HAJA HOJE PARA TANTO ONTEM(LEMINSKI)

sábado, 29 de agosto de 2009

BRECHT


POESIA

“Hay hombres que lucham un dia
y son buenos,
Hay otros que lucham un año
y son mejores
Hay quienes lucham muchos años
y son mui buenos
Pero hay los que lucham toda la vida
Esos son los imprescindibles.”
— B. Brecht

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

MAIAKOVSKI


IMPOSSÍVEL

Sozinho não posso
carregar um piano
e menos ainda um cofre-forte.
Como poderia então
retomar de ti meu coração
e carregá-lo de volta?
Os banqueiros dizem com razão:
"Quando nos faltam bolsos,
nós que somos muitíssimo ricos,
guardamos o dinheiro no banco".
Em ti
depositei meu amor,
tesouro encerrado em caixa de ferro,
e ando por aí
como um Creso contente.
É natural, pois,
quando me dá vontade,
que eu retire um sorriso,
a metade de um sorriso
ou menos até
e indo com as donas
eu gaste depois da meia-noite
uns quantos rublos de lirismo à toa.

sábado, 15 de agosto de 2009

HOMENAGEM A BERTOLD BRECHT.

BRECHT

BRECHT

POESIA

“Hay hombres que lucham un dia
y son buenos,
Hay otros que lucham un año
y son mejores
Hay quienes lucham muchos años
y son mui buenos
Pero hay los que lucham toda la vida
Esos son los imprescindibles.”
— B. Brecht

Mas quem é o partido?
Bertold Brecht

Mas quem é
o partido?
Ele fica sentado
em uma casa com telefones?
Seus pensamentos
são secretos,
suas decisões
desconhecidas?
Quem é ele?

Nós somos ele.
Você, eu, vocês ?
nós todos.
Ele veste sua roupa, camarada, e pensa com a sua cabeça
Onde moro é a casa dele, e quando você é atacado ele luta.

BERTOLD BRECHT


MORRE O AUTOR TEATRAL BERTOLD BRECHT,EM BERLIM,14/08/1956.

O Analfabeto Político
Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

sábado, 25 de julho de 2009

MAIAKOVSKI


Come ananás, mastiga perdiz.
Teu dia está prestes, burguês.

sábado, 18 de julho de 2009

final de semana


Aula de amor

Mas, menina, vai com calma
Mais sedução nesse grasne:
Carnalmente eu amo a alma
E com alma eu amo a carne.

Faminto, me queria eu cheio
Não morra o cio com pudor
Amo virtude com traseiro
E no traseiro virtude pôr.

Muita menina sentiu perigo
Desde que o deus no cisne entrou
Foi com gosto ela ao castigo:
O canto do cisne ele não perdoou.

domingo, 30 de março de 2008

DOMINGÃO





A Cruz de Giz

Eu sou uma criada. Eu tive um romance
Com um homem que era da SA.
Um dia, antes de ir
Ele me mostrou, sorrindo, como fazem
Para pegar os insatisfeitos.
Com um giz tirado do bolso do casaco
Ele fez uma pequena cruz na palma da mão.
Ele contou que assim, e vestido à paisana
anda pelas repartições do trabalho
Onde os empregados fazem fila e xingam
E xinga junto com eles, e fazendo isso
Em sinal de aprovação e solidariedade
Dá um tapinha nas costas do homem que xinga
E este, marcado com a cruz branca
ë apanhado pela SA. Nós rimos com isso.
Andei com ele um ano, então descobri
Que ele havia retirado dinheiro
Da minha caderneta de poupança.
Havia dito que a guardaria para mim
Pois os tempos eram incertos.
Quando lhe tomei satisfações, ele jurou
Que suas intenções eram honestas. Dizendo isso
Pôs a mão em meu ombro para me acalmar.
Eu corri, aterrorizada. Em casa
Olhei minhas costas no espelho, para ver
Se não havia uma cruz branca.

...

sábado, 9 de fevereiro de 2008

poesia


BOM FINAL DE SEMANA!
Aos que virão depois de nós

I

Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.

Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?
É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)

Dizem-me: come e bebe! Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?

Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.
Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra;

Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!

II

Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo da revolta
e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.

III

Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos,
pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que vocês tiveram a sorte de escapar.
Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de sapatos,
desesperados!
quando só havia injustiça e não havia revolta.

Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
que queríamos preparar o caminho para a amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós
com um pouco de compreensão.

sábado, 15 de dezembro de 2007

FINAL DE SEMANA


Hábitos de amar

Não é exato que o prazer só perdura.
Muita vez vivido, cresce ainda mais.
Repetir as mil versões prévias, iguais
É aquilo que a nossa atração segura:

O frêmito do teu traseiro há muito
A pedi-las! Oh, a tua carne é ardil!
E a segunda é, que traz venturas mil,
Que a tua voz presa exija o desfruto!

Esse abrir de joelhos! Esse deixar-se coitar!
E o tremer, que à minha carne sinal solta
Que saciada a ânsia, logo te volta!

Esse serpear lasso! As mãos a buscar-
-Me. Tua a sorrir!
Ai, vezes que se faça:
Não fossem já tantas, não tinha tanta graça!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

SÁBADO


BOM FINAL DE SEMANA!

DE RUA

Barracas - entre imagem gastas,
Bandejas sangram framboesas.
Num arenque lunar se arrasta
Sobre mim uma letra acesa.

Cravo as estacas dos meus passos,
O tamborim das ruas sente.
Lentamente os bondes-cansaços
Cruzam as lanças fluorescentes.

Alçando a mão o olho arisco,

A praça oblíqua põe-se a salvo.
O céu esgazeia ao gás alvo
O olhar sem-ver do basilisco.

(Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

FINAL DE SEMANA


BOM FINAL DE SEMANA!

EU

Nas calçadas pisadas
de minha alma
passadas de loucos estalam
calcâneo de frases ásperas
Onde
forcas
esganam cidades
e em nós de nuvens coagulam
pescoço de torres
oblíquas
só
soluçando eu avanço por vias que se encruzi-lham
à vista
de crucifixos

polícias

(tradução: Haroldo de Campos)

sábado, 8 de setembro de 2007

brecht


LISTA DE PREFERÊNCIASAlegrias, as desmedidas.Dores, as não curtidas.Casos, os inconcebíveis. Conselhos, os inexeqüíveis.Meninas, as veras. Mulheres, insinceras.Orgasmos, os múltiplos. Ódios, os mútuos.Domicílios, os passageiros. Adeuses, os bem ligeiros.Artes, as não rentáveis. Professores, os enterráveis.Prazeres, os transparentes. Projetos, os contingentes.Inimigos, os delicados. Amigos, os estouvados.Cores, o rubro. Meses, outubro.Elementos, os fogos. Divindades, o logos.Vidas, as espontâneas. Mortes, as instantâneas.

domingo, 29 de julho de 2007

poesia


Elogio da DialéticaA injustiça passeia pelas ruas com passos seguros. Os dominadores se estabelecem por dez mil anos. Só a força os garante. Tudo ficará como está. Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores. No mercado da exploração se diz em voz alta: Agora acaba de começar! E entre os oprimidos muitos dizem: Não se realizará jamais o que queremos! O que ainda vive não diga: jamais! O seguro não é seguro. Como está não ficará. Quando os dominadores falarem falarão também os dominados. Quem se atreve a dizer: jamais? De quem depende a continuação desse domínio? De nós. De quem depende a sua destruição? Igualmente de nós. Os caídos que se levantem! Os que estão perdidos que lutem! Quem reconhece a situação como pode calar-se? Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã. E o "hoje" nascerá do "jamais".

sábado, 30 de junho de 2007

sabadão


A FLAUTA VERTEBRADAA todos vocês,que eu amei e que eu amo,ícones guardados num coração-caverna,como quem num banquete ergue a taça e celebra,repleto de versos levanto meu crânio.Penso, mais de uma vez:seria melhor talvezpôr-me o ponto final de um balaço.Em todo casoeuhoje vou dar meu concerto de adeus.Memória!Convoca aos salões do cérebroum renque inumerável de amadas.Verte o riso de pupila em pupila,veste a noite de núpcias passadas.De corpo a corpo verta a alegria.esta noite ficará na História. Hoje executarei meus versosna flauta de minhas próprias vértebras.(tradução: Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman)

sábado, 26 de maio de 2007

maiakovski


ESTRELAEscutai! Se as estrelas se acendemserá por que alguém precisa delas?Por que alguém as quer lá em cima?Será que alguém por elas clama,por essas cuspidelas de pérolas?Ei-lo aqui, pois, sufocado, ao meio-dia,no coração dos turbilhões de poeira;ei-lo, pois, que corre para o bom Deus,temendo chegar atrasado,e que lhe beija chorandoa mão fibrosa.Implora! Precisa absolutamenteduma estrela lá no alto!Jura! Que não poderia mais suportaressa tortura de um céu sem estrelas!Depois vai-se embora,atormentado, mas bancando o gaiatoe diz a alguém que passa:"Muito bem! Assim está melhor agora, não é?Não tens mais medo, hein?"Escutai, pois! Se as estrelas se acendemé porque alguém precisa delas.É porque, em verdade, é indispensávelque sobre todos os tetos, cada noite,uma única estrela, pelo menos, se alumie.(Tradução E. Carrera Guerra)

sábado, 12 de maio de 2007

POESIA


Soprava o vento pela fresta Soprava o vento pela frestaA menina comia nêsperaAntes de dar em segredoO níveo corpo ao folguedo:Mas antes provou ter tactoPois só o queria nu no atoUm corpo bom como um figoNão se vai foder vestido.Para ela em tempos de aisNunca o gozo era demais.Lavava-se bem depois:Nunca o carro antes dos bois.
BRECHT

domingo, 1 de abril de 2007

coragem


educar e aprender!

sexta-feira, 30 de março de 2007

maiakovski


O QUE ACONTECEU COMIGO As esquadras acodem ao porto. O trem corre para as estações. Eu, mais depressa ainda, vou a ti, atraído, arrebatado, pois que te amo. Assim como se apeia o avarento cavaleiro de Púchkin alegre por encafuar-se em seu sótão, assim eu regresso a ti, amada, com o coração encantado de mim. Ficais contentes de retornar à casa. Ali vos livrais da sujeira, raspando-vos, lavando-vos, fazendo a barba. Assim retorno eu a ti. Por acaso, indo a ti não volto à minha casa? Gente terrena ao seio da terra volta. Sempre volvemos à nossa meta final. Assim eu, em tua direção me inclino apenas nos separamos mal acabamos de nos ver.

sexta-feira, 23 de março de 2007

poema


``Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar,
trucidar
Meu coração fecha aos olhos e sinceramente chora...''
``Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intencão e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa''

tirado de blog do komuna